Quem sou eu

Minha foto
Brazil
Um homem casado pela segunda e ultima vez, um filho, disposto a compartilhar experiências, ouvir sugestões, falar das coisas que acredita, do amor, trocar informações sobre as formas que arranjou de lidar com á depressão e a bipolaridade e todos os seus desdobramentos, disposto a ouvir, ser ouvido, perdoar e ser perdoado, completamente disposto em fazer novas amizades, aberto para reformas, para reestruturações de sua própria humanidade...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SEROTONINA





O transtorno afetivo mais típico é a Depressão com todo seu quadro clínico conhecido, mas, apesar disso, talvez não seja o problema afetivo mais frequente. São vários os fatores que contribuem para a etiologia da depressão emocional e, entre eles, destaca-se cada vez mais a importância da bioquímica cerebral. Os quadros ansiosos, do tipo Pânico, Fobias, Somatizações ou a mesma Ansiedade Generalizada são os problemas afetivos mais frequentes, pois, também esses estados têm como base psíquica as alterações da Afetividade.

Os antidepressivos são drogas que aumentam o tônus psíquico melhorando o humor e, consequentemente, melhorando a psicomotricidade de maneira global. Acredita-se que o efeito antidepressivo se dê às custas de um aumento da disponibilidade de neurotransmissores no SNC, notadamente da serotonina (5-HT), da noradrenalina ou norepinefrima (NE) e da dopamina (DA). Ao bloquearem receptores 5HT2 (da serotonina) os antidepressivos também funcionam como antienxaqueca.

O local de ação dos antidepressivos, principalmente os tricíclicos, é no Sistema Límbico aumentando a NE e a 5HT na fenda sináptica. Este aumento da disponibilidade dos neurotransmissores na fenda sináptica é conseguido através da inibição na recaptação destas aminas pelos receptores pré-sinápticos.

Parece haver também, com o uso prolongado dos ADT, uma diminuição do número de receptores pré-sinápticos do tipo Alfa-2, cuja estimulação do tipo feedback inibiria a liberação de NE. Desta forma, quanto menor o número destes receptores, menor seria sua estimulação e, consequentemente, mais NE seria liberada na fenda. Portanto, dois mecanismos relacionados à recaptação; um inibindo diretamente a recaptação e outro diminuindo o número dos receptores. Importa, em relação à farmacocinética dos ADT, o conhecimento do período de latência para a obtenção dos resultados terapêuticos.

O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica se dá através do bloqueio da recaptação da NE e da 5HT no neurônio pré-sináptico ou ainda, através da inibição da Monoaminaoxidase (MAO) que é a enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores.

Será, portanto, nos sistemas noradrenérgico o serotoninérgico do Sistema Límbico o local de ação das drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade.

A Serotonina é uma substância chamada de neurotransmissor existe naturalmente em nosso cérebro e, como tal, serve para conduzir a transmissão de uma célula nervosa (neurônio) para outra. Quimicamente a serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HT) é uma indolamina, produto da transformação do aminoácido L-Triptofano.

O Triptofano, conhecido também como 5-HTP (5-hidroxitriptofano), é um nutriente encontrado em alimentos ricos em proteínas, como carne, peixe, peru e laticínios. Sua importância na psiquiatria deve-se ao fato de ser o precursor direto da serotonina, por sua vez, é também chamada de 5-hidroxitriptamina (5-HT), que atua no cérebro ajudando a melhorar o humor, evitando a depressão, a ansiedade e a insônia.
Atualmente a Serotonina está intimamente relacionada aos transtornos do humor, ou transtornos afetivos e a maioria dos medicamentos antidepressivos agem produzindo um aumento da disponibilidade dessa substância (tornam ela mais disponível) no espaço entre um neurônio e outro. Assim sendo, a serotonina (5-HT) influi sobre quase todas as funções cerebrais, inclusive estimulando o sistema GABA (ácido gamaminobutírico). Embora seja apenas um, entre possivelmente centenas de neurotransmissores do cérebro, a serotonina talvez seja um dos mais importantes. Os níveis de serotonina determinam se a pessoa está deprimida, propensa à violência, irritada, impulsiva ou gulosa.

Assim como a serotonina pode elevar o humor e produzir uma sensação de bem-estar, sua falta no cérebro ou anormalidades em seu metabolismo da têm sido relacionadas a condições neuropsíquicas bastante sérias, tais como o Mal de Parkinson, distonia neuromuscular, Mal de Huntington, tremor familiar, síndrome das pernas inquietas, problemas com o sono, etc. Problemas psiquiátricos, tais como depressão, ansiedade, agressividade, comportamento compulsivo, problemas afetivos, dentre outros também têm sido associados ao mau funcionamento do sistema serotoninérgico (da serotonina).

Com essa base fisiológica, alguns pesquisadores afirmam que se aumentarem os precursores naturais da serotonina pode-se, seguramente, elevar seus níveis e aliviar a depressão, dor e o desejo por carboidratos.

O 5-HTP, tomado como suplemento dietético pode ser eficaz contra a depressão e completar a ação dos antidepressivos tradicionais. O 5HTP pode ser encontrado em altas concentrações na semente de um legume, chamado Griffonia simplicifolia, encontrado no Oeste da África. O leite e seus derivados também são fontes de 5HTP, assim como a carne de peru. Outras fontes de triptofano: requeijão, carne, peixe, banana, tâmara, amendoim, todos os alimentos ricos em proteínas.

Serotonina e o Humor

De modo geral a Serotonina regula o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo circadiano, as funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, atividade motora e funções cognitivas.

Para se ter uma noção da influência bioquímica sobre o estado afetivo das pessoas, basta lembrar dos efeitos da cocaína, por exemplo. Trata-se de um produto químico atuando sobre o cérebro e capaz de produzir grande sensação de alegria, ou seja, proporciona um estado emocional através de uma alteração química. Outros produtos químicos, ou a falta deles, também podem proporcionar alterações emocionais.

Pensando nisso, em meados desse século a medicina começou a suspeitar ser muito provável a existência de substâncias químicas atuando no metabolismo cerebral capazes de proporcionar o estado depressivo. Isso resultou, nos conhecimentos atuais dos neurotransmissores e neuroreceptores, muitíssimo relacionados à atividade cerebral.

Alguns neurotransmissores, notadamente a serotonina, noradrenalina e dopamina, estão muito associados ao estado afetivo das pessoas. As pesquisas que inicialmente procuraram embasar a teoria de que a depressão depende (também) de baixos níveis de Serotonina, tomaram como ponto de partida o fato de uma dieta suficientemente livre de Triptofano, a ponto de produzir um pico plasmático muito baixo deste aminoácido, resultando em um estado depressivo moderado (Charney). O Triptofano, como vimos acima, é um precursor natural da Serotonina.

Também foram realizados testes em pacientes gravemente deprimidos, bem como em pacientes suicidas, constatando-se baixíssimos níveis da Serotonina no líquido espinhal dessas pessoas. Assim sendo, hoje em dia é mais correto acreditar que o deprimido não é apenas uma pessoa triste, aliás, alguns deprimidos nem tristes ficam, sendo mais acertado acreditar que os deprimidos sejam pessoas com um transtorno da afetividade, concomitante ou proporcionado por uma alteração nos neurotransmissores e neuroreceptores.

Por outro lado, os Transtornos da Ansiedade, principalmente o Transtorno Obsessivo-Compulsivo e o Transtorno do Pânico, também estariam relacionados à Serotonina, tanto assim que o tratamento para ambos também é realizado às custas de antidepressivos, os quais aumentam a disponibilidade de Serotonina no Sistema Nervoso Central. Nesses estados ansioso, um outro neurotransmissor, a noradrenalina, também estaria diminuído.

A ação terapêutica das drogas antidepressivas tem lugar no Sistema Límbico, que é o principal centro cerebral das emoções. Este efeito terapêutico é consequência de um aumento funcional dos neurotransmissores na fenda sináptica (espaço entre um neurônio e outro), principalmente da Norepinefrina (NE) e/ou da Serotonina (5HT) e/ou da Dopamina (DO), bem como alteração no número e sensibilidade dos neuroreceptores. O aumento de neurotransmissores na fenda sináptica pode se dar através do bloqueio da recaptação desses neurotransmissores no neurônio pré-sináptico (neurônio anterior) ou ainda, através da inibição da enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores, a Monoaminaoxidase (MAO). Serão, portanto, os sistemas noradrenérgico, serotoninérgico e dopaminérgico do Sistema Límbico os locais de ação das drogas antidepressivas empregadas na terapia dos transtornos da afetividade.

Mas não é apenas a concentração e quantidade de neurotransmissores as responsáveis pelos transtornos do humor. Cada vez mais se constata o envolvimento dos receptores (quantidade e sensibilidade) desses neurotransmissores na origem da Depressão, assim como na sintomatologia da Ansiedade. Parece ser este um importante ponto de partida para a identificação, diagnóstico e terapêutica desses dois fenômenos psíquicos (ansiedade e depressão) (Bromidge e cols, 1998, Kennett e cols, 1997).

No Sono

Baixos níveis de Serotonina estão também relacionados com alterações do sono, tão comuns em pacientes ansiosos e deprimidos. A Serotonina é a mediadora responsável pelas fases III e IV do sono. A diminuição da latência da fase REM (Rapid Eyes Moviment) do sono, de indiscutível ocorrência na depressão unipolar e no transtorno obsessivo-compulsivo, se deve ao desequilíbrio entre a Serotonina e Acetilcolina. Os antidepressivos recaptadores de Serotonina servem para restabelecer a chamada arquitetura do sono dos pacientes depressivos, ansiosos e até dos dependentes de hipnóticos (Lehkuniec).

Como vimos, as alterações do sono dos transtornos ansiosos e do humor, normalmente insônia, deve-se ao desequilíbrio entre a Serotonina e um outro neurotransmissor, a Acetilcolina e o tratamento com antidepressivos pode melhorar a qualidade do sono. Outro efeito muito útil dos antidepressivos é em relação ao tratamento de pessoas dependentes de medicamentos hipnóticos (para dormir), já que estes podem proporcionar um certo desequilíbrio na acetilcolina.

Na Atividade Sexual

A Serotonina apresenta um efeito inibidor sobre a liberação de hormônios sexuais (gonadotrofinas) pelo hipotálamo, e consequente diminuição da resposta sexual normal. A diminuição farmacológica da Serotonina, seja através de medicamentos ou por competitividade aminérgica, facilita a conduta sexual. Isso quer dizer que quanto mais Serotonina menos hormônio sexual, menos atividade sexual, portanto, alguns antidepressivos que aumentam a Serotonina acabam por diminuir a atividade sexual.

No Apetite

A vontade de comer doces e a sensação de já estar satisfeito com o que comeu (saciedade) dependem de uma região cerebral localizada no hipotálamo (núcleo hipotâlamico ventro-medial). O efeito hipotâlamico ventro-medial da Serotonina é altamente específico apenas para os hidratos de carbono, necessitando de outros cofatores centrais e periféricos para agir sobre os outros alimentos, como as proteínas e lípides.

Portanto, com taxas normais de Serotonina a pessoa sacia-se mais facilmente e inibe mais facilmente a ingestão de açúcares, sente-se satisfeita com mais facilidade e tem maior controle na vontade de comer doce. Havendo diminuição da Serotonina, como ocorre na depressão, a pessoa pode ter uma tendência ao ganho de peso. Por isso os medicamentos que aumentam a Serotonina estão sendo cada vez mais utilizados nas dietas para perda de peso (sibutramina, por exemplo). A própria fluoxetina, usada para o tratamento da depressão através do aumento da Serotonina, também costuma proporcionar maior controle da fome (notadamente para doces).

Assim, se por um lado a baixa de Serotonina resulta em ganho de peso, o excesso de Serotonina, por outro lado, produz anorexia (Blundell). Apesar disso, os agonistas da Serotonina com ação direta sobre os neuroreceptores da Serotonina (serotoninérgicos) do tipo 5-HT1A (8-OH-DPAT) produzem aumento do apetite (hiperfagia) por estímulo de outros neuroreceptores (auto-receptores), diminuindo a liberação de Serotonina. Este pode ser o mecanismo responsável pela anorexia que se observa em alguns casos de depressão ou da Anorexia Nervosa (López-Mato).

Outras Funções

Também na regulação geral do organismo a Serotonina tem um papel importante. A Serotonina é um dos principais neurotransmissores do núcleo supraquiasmático hipotâlamico, regulador central de todos os ritmos endógenos circadianos. Influi assim, na regulação do eixo hipotálamo-periférico.

A temperatura corporal, por exemplo, controlada que é no Sistema Nervoso Central (SNC) recebe uma influência muito grande dos níveis de Serotonina. Isso talvez possa explicar porque algumas pessoas têm febre de origem emocional, predominantemente as crianças. A Serotonina produz um efeito duplo sobre a temperatura corporal, de acordo com o tipo de neuroreceptor estimulado. O neuroreceptor 5-HT1 reduz a temperatura corporal (hipotermia) e o neuroreceptor 5-HT2, ao contrário, eleva a temperatura (hipertermia). É durante a fase de ondas lentas do sono que se produz o pico mínimo da temperatura corporal.

Também interfere no limite da sensação de dor. A Serotonina é um modulador das vias senso-perceptivas, as quais também transmitem ao cérebro a sensação de dor. A depressão diminui o limiar de recepção à dor e a administração de agonistas (imitadores biológicos) da Serotonina produz analgesia em animais de laboratório.

Algumas doenças caracterizadas por dores de tratamento difícil podem ser muito beneficiadas com medicamentos que aumentam a Serotonina. É o caso, por exemplo, da enxaqueca, das lombalgias (dores nas costas) e outros quadros de dor inespecífica. É bem conhecido o efeito dos antidepressivos tricíclicos, especialmente de a Amitriptilina, para controle dos casos de dor psicogênica.


Para Referir: Ballone GJ-Serotonina-in. PsiqWeb, Internet, disponível emwww.psiqweb.med.br, revisto em 2005.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Não Vejo Esta Imagem de Minha Varanda




Não vejo esta imagem de minha varanda á vejo em meus pensamentos e sonho com ela, medito nela, me coloco ali naquela casa num banquinho e ao meu lado o meu amor. 

Já cortei muito trigo antes da hora, estavam verdes e não pude fazer pães nem para comer e muito menos para distribuir com fartura a todos. 

Hoje eu espero o trigo chegar ao ponto de colheita e quando a farinha fica bem moída na pedra da roda-d'água de meu viver, consigo fazer bolos, biscoitos e até pães que distribuo hoje com muito mais amor, calma e respeito ao tempo alheio. 

Às vezes eu choro quando vejo pães mordidos e seus restos jogados pelo caminho. 

Puro desprezo algumas vezes alimentado erroneamente pelo padeiro, outras simplesmente por ausência de lembranças de belas fornadas oferecidas simplesmente por elas serem o certo a se fazer. 

Ainda estou aprendendo, estou vivo! 

Tenho aqui no fundo a certeza do perdão porque sei que outros também podem aprender com seus erros e perdoar com seus acertos reconhecendo que no fundo; muitas vezes; somos reflexo uns dos outros. 

Quem quer pão?! Está quentinho e feito com muito carinho aprendido com autodescobertas pelos caminhos da minha vida. 

GRANDE ABRAÇO E MUITOS BEIJOS!!

domingo, 28 de agosto de 2011

TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR


Entre os dois polos do humor


13/05/2008
Em 2006 T.M. participou de uma viagem com um grupo de alunos de uma universidade carioca. Os professores seguiram em uma Kombi, e mais atrás foi um ônibus com 52 alunos. Lá dentro, alguns estudantes começaram a beber e fumar, causando um verdadeiro rebuliço. “Não aguentei, falei um monte de desaforos, segurei no bagageiro e aumentei muito a voz”, contou. “O pessoal se assustou, eles não esperavam uma reação minha daquelas. Foi fora do meu comum, eu jamais faria isso. Não teria uma reação explosiva do jeito que eu tive.”
A reação “fora do comum” relatada pelo estudante provavelmente não teria ocorrido caso ele não sofresse do transtorno afetivo bipolar, um conjunto de sinais e sintomas que podem durar semanas ou meses e que causa o estado do humor a variar de maneira periódica ou cíclica apresentando-se de forma normal, elevada — chamada de mania — ou deprimida.
Ao longo da vida, as pessoas apresentam estados de humor variados, mas ainda se sentem no controle. No transtorno afetivo bipolar, no entanto, essa sensação de controle é perdida, gerando muito sofrimento para os que convivem com o problema.
Até os anos 80, o transtorno bipolar era conhecido como psicose maníaco-depressiva. A partir daí passou a ser chamada de transtorno afetivo bipolar, uma síndrome que acomete, segundo estimativas, 1% da população mundial e de 1,8 a 15 milhões de brasileiros, nas suas mais diversas formas de apresentação.
O médico e professor de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Valentim Gentil Filho, em entrevista ao Dr. Dráuzio Varella, afirma que a síndrome mudou de nome porque analisando separadamente, a denominação antiga carregava uma carga negativa, estigmatizada.
“Maníaco [de psicose maníaco-depressiva] é um termo técnico derivado do grego e significa loucura. De fato, na fase de hiperexcitabilidade, o indivíduo é o estereótipo do louco já que suas atitudes destoam, e muito, do padrão normal de seu comportamento. Depressivo era o termo mais brando dos três e que menos impacto causava. Por isso, considerou-se que a expressão psicose maníaco-depressiva era pesada demais para designar uma doença que, de certa forma, não era tão terrível quanto o nome fazia supor”.
Para o psiquiatra e pesquisador Diogo Lara, em seu livro Temperamento Forte e Bipolaridade: dominando os altos e baixos do humor (ed. Revolução das Idéias), o humor bipolar poderia ser comparado a ter um par de patins: “em alguns lugares é difícil de caminhar, em outros anda-se muito mais rápido do que quem está sem eles. Quanto menor o controle maior a emoção!” Desta forma, para aqueles que conhecem bem os seus patins — aprendendo a minimizar os riscos e andando em terrenos mais favoráveis — tê-los pode até ter suas vantagens.
Altos e baixos
O termo bipolar expressa os dois pólos de humor: o da mania e o da depressão. Diferente de como muitas pessoas utilizam, equivocadamente, a palavra mania — como mania de limpeza, de conferir as coisas, ou até maníaco no sentido de assassino, psicopata — o termo médico é descrito de outra forma. Um episódio maníaco é descrito por Benjamin e Virginia Sadock, autores do livro Compêndio de Psiquiatria, como um determinado período de humor fora do normal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável.
Aquele que passa por uma crise de mania costuma falar muito, falar rápido, ter idéias de grandeza, se sentir muito poderoso, capaz, inteligente, bonito, rico, gastar de maneira desmedida, se sentir com mais energia que o normal e a sua libido tende a aumentar. O doutorando T. M., de 27 anos, foi diagnosticado como bipolar em 2007. Ele se descontrolava com seus gastos durante as crises maníacas. “Gosto muito de ler, mas acabava comprando uma quantidade de livros que eu não conseguia dar conta. Depois que eu comecei a me tratar, os excessos diminuíram bastante.”
O recém-formado administrador de empresas F. F., de 24 anos, já passou por crises de mania em que ficava tão cheio de energia que passava noites sem dormir. “Eu já fiquei sete dias sem dormir no período de mania. A coisa que eu mais queria era dormir, mas não conseguia. Posso querer ficar um, dois dias assim, mas sete não. Eu já não agüentava mais, estava ficando pirado.”
Assim como F. F, durante essas crises de humor “para cima”, muitos bipolares passam a dormir menos horas por noite e não ficam cansados. Além disso, emendam um assunto no outro — mesmo sendo capazes de manter uma coerência lógica. Costumam ficar muito desinibidos, perdendo a noção crítica do que é aceitável para cada situação, fazendo besteiras e achando tudo normal. É como se o bipolar estivesse em pleno carnaval, se divertindo e brincando com todos, mas de maneira, muitas vezes, inadequada.
No outro pólo do humor, durante as crises de depressão, as pessoas costumam ter idéias negativas, de ruína, sentem-se tristes e com energia baixa. Atividades simples e cotidianas, como tomar banho e escovar os dentes, podem até ser deixadas de lado. A perda do apetite é comum, mas às vezes pode-se ganhar mais peso. O indivíduo fica mais lento, sem vontade de sair da cama, e costuma ter dificuldades de concentração. Em casos mais graves, pode pensar em cometer suicídio, chegando até as últimas conseqüências.
Segundo a psiquiatra Magda Vaissman, a depressão é uma das maiores causas de suicídio e afastamento do trabalho, trazendo enormes prejuízos pessoais. “No caso de álcool e drogas, a maior parte dos pacientes, eu diria que 60% ou 70% dos pacientes, têm um transtorno afetivo associado”.
Estimativas publicadas no site da Associação Brasileira de Transtornos Bipolaresapontam que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas, enquanto cerca de 15% efetivamente o cometem. Trata-se, portanto, de um transtorno grave que não só pode incapacitar o indivíduo — que não conseguirá levar uma vida normal de trabalho ou social –, mas que também põe em risco a própria vida.

Os principais tipos da doença
Para entender um pouco mais sobre o transtorno afetivo bipolar, é preciso saber como a doença é classificada. De acordo com a classificação do livro Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM), um dos parâmetros utilizados pelos médicos, os transtornos bipolares são enquadrados em tipo I e tipo II.
O tipo I é aquele em que o paciente apresenta os quadros clássicos de mania e depressão, podendo um ser mais freqüente do que o outro. Em geral, as crises depressivas são mais freqüentes e ocorrem por períodos mais longos do que as crises maníacas. Estima-se que cerca de 1% da população mundial seja bipolar do tipo I. O tipo II — manifestado por 6 a 8% das pessoas — ocorre quando existem crises depressivas e crises de mania mais leves, chamadas de hipomania.
Essas alterações leves de humor eufórico são geralmente de difícil diagnóstico e podem não ser detectadas pelo médico. “Como é um quadro mais leve e não causa problema nenhum, o indivíduo fica mais ativo. Na verdade, ele fica melhor e todo mundo gosta”, diz o Dr. Elie Cheniaux. O paciente costuma trabalhar melhor, por mais tempo, e pensa de maneira mais criativa. Na vida pessoal, costuma ser mais fácil conhecer novas pessoas, pois ele tende a se tornar mais sociável.
E é aí que mora o perigo. O bipolar, em crise de mania, pode nem chegar ao médico por considerar positivo aquele tipo de humor ou por achar que episódios como aqueles são perfeitamente normais. Por isso, as crises de mania leve podem não ser relatadas pelo paciente ou não ser detectadas pelo especialista. A depressão é mais facilmente diagnosticada, por outro lado. Esta dificuldade pode ser refletida no tratamento, já que antidepressivos podem desencadear a mania no paciente bipolar.
Conheça as áreas afetadas no cérebro de um bipolar e o que os cientistas estão começando a descobrir:

Como atua
O que ocorre
1 – Estriato
Ajuda o cérebro a processar recompensas
Perda de 30% da massa cinzenta na região. Isso interfere na capacidade de julgamento. A pessoa pode gastar demais, por exemplo
2 – Córtex pré-frontal
Regula as emoções, a capacidade de planejamento e a motivação
Até 40% de redução da massa cinzenta. A pessoa tem dificuldades para desenvolver uma atividade constante
3 – Amígdala
Ajuda a reconhecer expressões faciais. As transmissões entre os neurônios aumentam em resposta aos estímulos emocionais
Lentidão na resposta aos estímulos, reações fora do tempo normal
4 – Hipocampo
É um dos centros da memória. Parte dele ajuda no reconhecimento de perigos ou recompensas
Ansiedade constante e dificuldade para diferenciar situações seguras das de risco
5 – Tronco cerebral
Onde o neurotransmissor serotonina é produzido para ser espalhado pelas diferentes partes de cérebro
Bipolares têm menos serotonina, o que pode contribuir para a atrofia dos neurônios e levar à depressão
Principais causas
Como para a maioria dos transtornos mentais, o componente genético desempenha um dos papéis mais importantes no desenvolvimento do transtorno afetivo bipolar. Segundo dados do livro Temperamento Forte e Bipolaridade: dominando os altos e baixos do humor, há uma chance razoável de um pai e uma mãe bipolares terem filhos com as mesmas características. No caso de um par de gêmeos idênticos, se um deles tem o transtorno afetivo bipolar, há 80% de chances de que o outro também o tenha. Por isso, uma avaliação psiquiátrica completa não pode deixar de levar em conta a história familiar do paciente.
F.F. conta que seu avô tinha o mesmo transtorno que ele descobriu ter na infância. “Ele era Procurador Geral da República e ganhava bastante dinheiro, só que torrava tudo. Ele nunca teve uma vida estável, muito pelo contrário.”
Além do componente genético, acontecimentos da vida podem ajudar a desencadear as crises. Em geral é muito comum ocorrer algum episódio ruim, alguma ocorrência de estresse. Depois da primeira crise, passa a ser menos freqüente que um evento seja o causador destas crises.
Apesar de ser uma doença cujos sintomas sejam bem definidos, ainda se sabe muito pouco sobre as suas causas. Os casos típicos são simples porque não se tratam de meras flutuações do humor, de sentimentos de alegria ou tristeza. “Existe todo um conjunto de alterações em que o individuo fica muito diferente do normal, o leigo percebe que ele não está normal, embora possa não saber o nome da doença”, alerta o Dr. Elie Cheniaux.

Tratamento
Apesar de se tratar de um transtorno que pode causar graves alterações no humor do bipolar, afetando a sua vida diretamente, a boa notícia é que existe tratamento eficaz. O objetivo principal do especialista é tentar reduzir os fatores que desestabilizam o humor do paciente, embora a doença não tenha cura. O acompanhamento farmacológico deve ser feito por toda a vida.
O lítio é um dos primeiros medicamentos que surgiram e ainda é uma dos mais usados como estabilizador de humor — embora funcione melhor na prevenção de crises maníacas do que para crises depressivas. Como qualquer medicamento, o lítio também pode causar efeitos colaterais. A.L., de 28 anos, teve sucesso com este medicamento, mas sentiu seus efeitos negativos: “No meu caso, o lítio foi o estabilizador de humor que mais funcionou, porém os efeitos colaterais foram bem ruins”. Ela conta que a sua pele ficou mais ressecada, teve queda de cabelo — e perda de brilho — e aumento de peso. “Eu bebia muita água também, já que a sensação de sede é constante”.
Alguns antipsicóticos — usados para tratar esquizofrenia e outros quadros psicóticos — e anticonvusivantes funcionam, embora não se saiba exatamente o motivo.
Tratar a depressão bipolar é mais complicado do que tratar a depressão unipolar — que ocorre sem que existam episódios de mania –, já que ela é muito menos estudada. Existe um grande risco de o depressivo bipolar mudar para a mania. “Os antidepressivos favorecem isso, pois o paciente melhora, melhora, melhora tanto que vai para a outra crise”, ressalta o Dr. Elie Cheniaux. Surge, então, uma polêmica: antidepressivos devem ou não ser usados no tratamento da depressão bipolar? Alguns médicos apóiam a sua indicação, com muita cautela, enquanto outros são totalmente contra.
Acima de tudo, o tratamento contra a depressão é extremamente importante porque o bipolar costuma permanecer mais tempo em depressão do que em mania. Em casos de episódios mistos — em que o bipolar apresenta características tanto de mania quanto de depressão –, o risco de suicídio aumenta ainda mais. Isso porque a tristeza e a desesperança, que fazem o indivíduo ter vontade de morrer, são sinais típicos da depressão. No entanto, o indivíduo não se mata porque ele se sente tão desprovido de energia que não tem sequer forças para levar a cabo o seu desejo. No episódio misto, então, ele pode manter essa desesperança, mas tem forças suficientes para tentar se matar.

Como ajudar?
Ainda que para a maioria das pessoas que estejam vendo de fora seja difícil entender o que está acontecendo com um bipolar, a ajuda de amigos e familiares é fundamental. “Quem está de fora pode ajudar com mais sucesso oferecendo apoio, compreensão e disponibilidade para atenuar os prejuízos do momento”, afirma o Dr. Diogo Lara. Ele ressalta em seu livro que muitas vezes é um familiar que toma a decisão de procurar ajuda especializada, já que o doente não tem energia, pode negar a necessidade de tratamento ou porque teme ir a um psiquiatra ou psicólogo.
Existem casos, no entanto, em que a própria família do paciente tem dificuldade de entender e encarar a doença, daí a importância de se informar da melhor maneira possível. Há aqueles que chegam a achar que a depressão não é nada mais que preguiça, e a mania, “falta de vergonha na cara”. Isso porque, para grande parte das pessoas, as enfermidades mentais não são consideradas doenças e porque ainda há um estigma por trás do tratamento psiquiátrico.
Criatividade
Embora existam alguns estudos acerca deste tema, não há comprovação de que haja uma relação direta entre a criatividade e o transtorno bipolar. Mesmo assim, uma rápida busca pela internet nos revela uma lista enorme de personalidades famosas — e extremamente criativas — que foram diagnosticadas ou que se aponte como sendo bipolares: Kurt Cobain, Vincent Van Gogh, Janis Joplin, Elizabeth Taylor, Edgar Allen Poe, Ulysses Guimarães, Leon Tolstoy, Jackson Pollock, Mozart, Virginia Woolf, Winston Churchill…
Para a Dra. Magda Vaissman, uma teoria para responder a esta dúvida poderia ser o fato de que muitas pessoas que sofrem do transtorno afetivo bipolar são extremamente sensíveis. “Elas vêem a vida de uma maneira colorida demais, por extremos. Isso provoca reflexões nas pessoas e a produção artística está relacionada a isso.”

O bipolar Thiago Marinho ressalta o lado negativo que existe por trás de um falso “glamour” conferido ao transtorno. Muitos adolescentes, que têm como ídolos roqueiros como Kurt Cobain (foto), Axl Rose, entre outros, acabam querendo incorporar aquela atitude do ídolo, associada às pretensas características de um bipolar. “Não gosto desse glamour que estão dando para o transtorno bipolar, não é brincadeira.”
Apesar da gravidade da doença, é necessário repetir que um bipolar pode, sim, levar uma vida normal como qualquer outra pessoa, desde que seja bem assessorado por profissionais qualificados.
* Gostaria de agradecer a ajuda e o material fornecido pela psiquiatra Cloyra Almeida, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, para a execução da matéria.
Clique aqui para conhecer sites de instituições nacionais e internacionais que esclarecem dúvidas sobre o transtorno bipolar.
Livros e filmes que abordam o assunto.
Escrito por: Giovana Chichito

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ORIGEM GENÉTICA DA MINHA BIPOLARIDADE.




Tenho seis irmãos. Segundo pesquisa 80% dos filhos de Portadores de Humor Bipolar/Transtorno Bipolar de Humor/ TAB/ Bipolaridade, são portadores do Transtorno, ou seja, 4,8 de nós são BIPOLARES, algo como quatro irmãos inteiros e oito pedaços de um outro dos seis, porem só EU busquei tratamento outros usam subterfúgios dos mais variados e o que a imaginação criativa de um portador puder chamar de divertido ou mascarar seus terríveis sintomas. Bem somos seis (?) irmãos filhos do mesmo pai e da mesma mãe, que teve uma irmã internada a vida toda num MANICÔMIO no interior de Minas Gerais, ela tomava ELETROCHOQUE periodicamente, pois acreditavam ser ESQUIZOFRÊNICA; mas creio que ela era uma pobre coitada de uma Bipolar mal diagnosticada; naquele tempo não deram á ela nem a chance de ser considerada MANIACA DEPRESSIVA, nomenclatura daqueles tempos. Bem todas as seções de "terapia" com ELETROCHOQUE eram sempre autorizadas. Não deu outra, minha pobre tia, a mais nova de todas as irmãs e irmãos, veio a óbito, nem sei de que ela padeceu, lamentável ela não ter suportado o tratamento tão moderno e propalado daqueles tempos. Ah! tinha no meio dos irmãos de minha; mamãe; que diga-se de passagem até hoje considera todo psiquiatra e afins, médicos de LOUCOS; pois então, um dos irmãos era EPILÉTICO e assim morreu também lá pelo final e inicio das décadas de 1970/1980. Sozinho em casa vestido com o terno que gostaria de ser sepultado. Igual minha avô materna fez no seu derradeiro dia. Em vida, este meu tio era um cavalheiro, bigodinho aparado, terninhos de linho sempre bem passado sob uma nesga de seda, para não ficar brilhoso, técnica que segundo ele, fruto da experiência de anos de boemia, além do terno sapatos bem lustrados e engraxados, óculos escuros, um lenço na lapela e um Panamá na cabeça, vez ou outra. Para fugir das dores um pouco de éter, uma pinguinha, uma Antártica na temperatura "suada" na garrafa, como sempre pedia ao nobre garçom e um pouco de rapé nas narinas. Delicioso personagem que em outro momento se a memória me ajudar terei o maior prazer de contar suas máximas e suas desventuras, só vou pontuar uma coisa, ele me tratava de forma "especial" em comparação com meus irmãos, seu carinho comigo era tão grande que em uma de suas poucas idas a Brasília; onde morávamos na época; ele me presenteou com um canequinho de prata onde constaria meu nome, mas minha mamãe, tomou posse dele para meu irmão casula, bebezinho ainda. É anos depois o regalo sumiu.

Da parte de meu pai a coisa do Transtorno Bipolar de Humor é totalmente comprovada uma vez que meu tio, casula e seu único irmão de sangue do mesmo pai e da mesma mãe, teve um diagnóstico tardio já lá pelos cinquenta, sessenta anos que me foi escondido até sua ultima e única visita a minha casa para um lanche junto de minha sempre carinhosa, amorosa, segunda mãe, sua esposa minha tia, meus pais, minha companheira e meu filho, antes de operar de um ANEURISMA e falecer logo na semana de sua volta para casa, durante um jogo do seu, do nosso time do coração o Esporte Clube Cruzeiro de Minas Gerais, “... tão combatido jamais vencido...” a letra do Hino oficial vale quando o time vai bem.


Bem queridos amigos virtuais, companheiros ocultos no TRANSTORNO BIPOLAR DE HUMOR, familiares que dão amor e apoio aos seus filhos e irmãos PORTADORES DA TAB, amigos que apoiam com amor e demais SERES HUMANOS que sem piedade e frescuras estão sempre dispostos a dar o melhor que podem para com o seu carinho e compreensão fazer com que os medicamentos vitalícios façam efeito e  que o PORTADOR DE TRANSTORNO DE HUMOR BIPOLAR, precisa tomar a VIDA TODA, pois NÃO TEM CURA, TEM CONTROLE, NÃO É LOUCURA, MAS É UMA DOENÇA MENTAL PERMANENTE E GRAVE. 


Hoje fico por aqui me preparando para satisfazer as dúvidas de minha família e preparando, minhas férias forçadas que confesso só aceitei, pois estou cambaleante e necessito de exames NEUROLÓGICOS para descobrir se foi à surra que tomei de meus irmãos casula e imediatamente mais velho quando eu estava a quatro dias sem meu estabilizante, pois tenho vergonha de pedir o dinheiro a meu pai. Meio irritado com as provocações desses dois irmãos, um dia em setembro de 2010, perdi o controle e na frente de maus pais, esposa e meu filho menor, me foram dados muitos golpes pelo meu irmão mais velho na minha cabeça e face, eram golpes mortais de Karatê, muito bem escolhidos, já que ele foi praticante quando jovem. Fico por aqui com minha bengala, meio cambaleante, mais ainda conseguindo, pelo menos dirigir. Até breve ou a qualquer momento.

GRANDE ABRAÇO A TODOS!! FIQUEM COM DEUS!!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Transtorno Bipolar tem cura?






Transtorno bipolar tem cura? Infelizmente não! E não tem porque é uma doença crônica (doença crônica em medicina quer dizer que é para vida inteira). Isso é o mesmo que dizer que transtorno bipolar não tem cura, assim, como outras doenças crônicas, como exemplo, diabetes, algumas doenças reumáticas e por aí vai... Embora transtorno bipolar do humornão tenha cura é uma doença que tem "controle", e, talvez dentre as doenças crônicas mentais é a que apresente o maior número de "ferramentas" para que isso aconteça com êxito.


Há cerca de 20 anos nós não tínhamos muitas escolhas (quer dizer os médicos e profissionais de saúde mental, não tinham tantas opções para tratamento...), hoje o quadro é diferente. E será ainda mais nos próximos anos. Se eu indago: - "transtorno bipolar tem cura"? E a resposta é radicalmente um "não", talvez, eu repensarei isso brevemente. Isso porque definitivamente eu sou muito "otimista"! Claramente eu acredito que se a indústria farmacêutica não dificultar nenhuma pesquisa na área de terapias genéticas e estudos em nanotecnologia (por exemplo), eu não tenho menor dúvida que nós chegaremos a cura! 

Fato é que estamos avançando, e, se não temos a cura para o transtorno bipolar do humorpara anunciar no Bipolar Brasil ainda, ao menos, eu estou certo que estamos vivenciando um momento que bipolares de décadas passadas não viveram. As medicações que estão presentes nos dias atuais são extremamente interessantes para o tratamento, os antidepressivos, por exemplo, são modernos ao ponto (se bem utilizados) não induzirem "viradas maníacas" tão facilmente como antes. Estabilizadores de humor, eficazes, já estão no mercado (e estão para chegar alguns mais eficazes ainda). Tudo aponta que nós bipolares temos a disposição "possibilidades" e "esperança" de irmos em frente! E se temos, que façamos uso disso, que possamos descobrir o que "funciona" conosco e vamos em frente!

Transtorno bipolar tem cura? Alguns dizem que sim...

Transtorno bipolar tem cura? Bem, não tem cura mesmo, entretanto nessas andanças na internet não tem como não se deparar com "promessas" de cura. E não tem como não ignorar outros pontos de vista. Eu definitivamente não preciso "concordar" com quem diz quetranstorno bipolar tem cura certo? E também ninguém precisa concordar comigo quando eu digo que transtorno bipolar não tem cura, certo? Mas, óbvio que eu não posso ficar omisso a isso... Eu não posso ficar omisso porque a ação voluntária do Bipolar Brasil é em primeira instância "responsável", e em segunda instância "contrária" a disseminação de "ilusões" e "sonhos". Quando eu digo isso, eu me refiro claramente às pessoas que "apregoam" a cura do transtorno bipolar do humor na internet. Isso é "ilusão", ou, na melhor das hipóteses: "vender sonhos". E acho portanto isso uma grande irresponsabilidade, por motivos muito bem claros: pessoas com transtorno bipolar do humor precisam de tratamento IMEDIATO e ponto. Há riscos de MORTE envolvidos em SURTOS PSICÓTICOS (que por sinal são apregoados por grupos que pregam a "suposta cura"), e, isso é SÉRIO!

Transtorno bipolar não tem cura e isso é sério!


Quem acompanha o Bipolar Brasil, ou melhor, quem me acompanha mais intimamente sabe que infelizmente nós perdemos (por conta de suicídio) amigos que eu fiz através do Bipolar Brasil neste ano e em 2009 (certo de que por outros motivos que não a pregação da cura de grupos na internet etc...) , entretanto, eu chamo atenção do amigo (a) leitor (a), que BIPOLARIDADE deve ser TRATADA (em ambos sentidos da palavra) com SERIEDADE. 

Conto a vocês um caso particular em que em um surto psicótico (eu acho que já contei em outro artigo, inclusive), eu fui confundido como um "sujeito" com uma "possessão demoníaca" (veja bem amigos, todo o respeito as religiões neste momento, ok?)... Eis, que ao contatar minha médica naquela situação (minha sogra, na ocasião fez o contato), foi receitada determinada medicação etc... em 2 horas, a situação estava NORMALIZADA. Não se trata de sonhos, ilusões e contos de fadas... Isso aconteceu comigo em 2008 (comigo, Willian autor do Bipolar Brasil, ok?). 

Medicamentos não podem ser "menosprezados", e, principalmente, não se deve "encorajar" pacientes a "vivenciar" crises a afim de quê isso possa lhe trazer a tal "CURA", pasmem! Transtorno bipolar tem cura? Não! Eu repito quantas vezes forem necessárias e desafio qualquer modelo teórico a me provar que tem... Absolutamente, não tem! Infelizmente não tem. E como eu disse no começo desse artigo: Eu sou otimista, e acredito que nós (seres humanos) teremos capacidade de encontrar a "resposta" e portanto a cura para a doença. Alias, para muitas outras doenças. O campo de pesquisas nesta área é promissor, e, eu tenho acompanhado de perto muitos estudos bons. Estamos numa fase excepcional, eu diria.

Enfim, transtorno bipolar não tem cura, mas temos hoje excelentes alternativas de tratamentos. No futuro próximo teremos mais alternativas (senão a cura efetivamente), e, nós bipolares podemos e devemos nos "entregar" ao tratamento sem medo e com confiança de que podemos colher bons resultados. Devemos estar atentos a "promessas" de curas "milagrosas", isso não existe (embora você não precisa concordar comigo, ok?). E por fim: estude muito a doença, é talvez a forma "curativa" (se é que podemos dizer assim) que podemos utilizar para aceitar nossa condição e vencer dia após dia o transtorno bipolar do humor. Aquilo que depender do Bipolar Brasil, e estiver ao meu alcance, eu me esforçarei para contribuir! E é claro: Eu conto com você nessa caminhada!

Juntos, podemos muito mais!

Will
WILL é Criador do Site BIPOLAR BRASIL - Notório defensor e divulgador da causa dos Portadores de Transtorno Bipolar de Humor em todo o Brasil.


Transtorno bipolar infantil explode nos EUA



child_bipolar
Diagnósticos do quadro em crianças aumentaram 40 vezes entre 1994 e 2003.  Pesquisadores apontam possíveis exageros em alguns casos.

O número de crianças e adolescentes norte-americanos em tratamento para transtorno bipolar aumentou 40 vezes entre 1994 e 2003, como relatam pesquisadores no estudo mais abrangente já feito sobre o controverso diagnóstico.
Segundo especialistas, é quase certo que o número tenha aumentado desde 2003.
Muitos especialistas defendem a tese de que a elevação seria reflexo de uma situação em que os médicos estariam aplicando o diagnóstico às crianças de modo mais incisivo e não acham que a ocorrência do transtorno tenha aumentado.
Contudo, a magnitude do aumento surpreendeu muitos psiquiatras. Segundo eles, é provável que isso intensifique a discussão sobre a validade do diagnóstico, que sacudiu a psiquiatra infantil.
O transtorno bipolar se caracteriza por oscilações extremas de humor. Até relativamente pouco tempo, achava-se que ele surgia quase exclusivamente na fase adulta. No entanto, na década de 90, os psiquiatras começaram a procurar com mais atenção pelos sintomas em pacientes mais jovens.
Alguns especialistas afirmam que a maior conscientização, comprovada no aumento do número de diagnósticos, permite que as crianças portadoras do transtorno obtenham o devido tratamento.
Outros dizem que o transtorno bipolar é falso positivo, ou seja, incorretamente diagnosticado quando não está presente. O termo bipolar, como afirmam os críticos, tornou-se o diagnóstico da ordem do dia, um conceito vago aplicado a quase toda criança de personalidade explosiva e agressiva.
Após a classificação das crianças, acrescentam os especialistas, elas são medicadas com remédios psiquiátricos fortes com poucos benefícios comprovados em crianças e com possíveis efeitos colaterais graves como ganho rápido de peso.
No estudo, pesquisadores de Nova York, Maryland e Madri analisaram uma pesquisa do Centro Nacional de Estatísticas em Saúde referente às consultas no consultório, focada em médicos em práticas particulares ou em grupo. Os pesquisadores calcularam a quantidade de consultas em que os médicos registraram o diagnóstico de transtorno bipolar e descobriram que eles aumentaram, de 20.000 em 1994 para 800.000 em 2003, cerca de 1%.
A difusão do diagnóstico representa prosperidade para os fabricantes de remédios, ressaltam alguns psiquiatras, porque os tratamentos, em geral, incluem remédios que podem ser de três a cinco vezes mais caros do que os receitados para outras doenças como depressão ou ansiedade.
“Acho que o aumento demonstra que a área está amadurecendo em se tratando da identificação do transtorno bipolar em crianças, mas a enorme polêmica reflete o fato de que não amadurecemos o suficiente”, declarou John March, diretor de psiquiatria infantil e adolescente da faculdade de medicina da Universidade de Duke, que não participou da pesquisa.
“Do ponto de vista do desenvolvimento”, explicou March, “simplesmente não sabemos com qual precisão podemos diagnosticar o transtorno bipolar ou se aqueles que são diagnosticados aos 5, 6 ou 7 anos serão adultos portadores da doença. Esse rótulo pode ou não refletir a realidade.”
A maioria das crianças enquadradas no diagnóstico não desenvolve as características clássicas do transtorno bipolar em adultos como a mania, como descobriram os pesquisadores. Elas têm muito mais probabilidade de se tornarem depressivas.
O aumento torna o transtorno mais comum entre as crianças do que a depressão clínica, segundo os autores. Os psiquiatras fizeram quase 90% dos diagnósticos, e dois terços dos pacientes mais novos eram meninos, como mostra o estudo, publicado na edição de setembro do Archives of General Psychiatry. Cerca de metade dos pacientes foi identificada como portadora de outras complicações mentais, com mais freqüência o transtorno do déficit de atenção.
Os tratamentos para crianças quase sempre incluem remédios. Cerca de metade recebeu medicamentos antipsicóticos como o Risperdal da Janssen ou o Seroquel da AstraZeneca, ambos desenvolvidos para o tratamento da esquizofrenia. Um terço foi receitado com os chamados estabilizadores de humor, com mais freqüência o remédio para epilepsia Depakote. Antidepressivos e estimulantes também eram comuns. A maioria das crianças tomou uma combinação de dois ou mais remédios e quatro em cada 10 foram tratadas com psicoterapia.
FONTES:  Benedict Carey Do ‘New York Times’ em PORTAL G